Por que algumas pessoas têm tanta dificuldade para emagrecer?

Emagrecer costuma ser apresentado como uma equação simples: consumir menos calorias, fazer exercícios e manter disciplina. Na prática, porém, muitas pessoas descobrem que o processo pode ser bem mais complexo.
É comum encontrar pessoas que já fizeram diferentes dietas, perderam peso e recuperaram depois. Outras conseguem seguir um planejamento durante algum tempo, mas abandonam quando enfrentam períodos de ansiedade, estresse ou mudanças na rotina. Há ainda aquelas que relatam grande dificuldade para modificar hábitos mesmo sabendo o que deveriam fazer.
Isso acontece porque o comportamento alimentar não existe isoladamente.
O peso é apenas uma parte da história
Sono, rotina, nível de atividade física, comportamento alimentar, estresse, emoções, ambiente e aspectos metabólicos podem participar do processo.
Por isso, duas pessoas com peso semelhante podem apresentar dificuldades completamente diferentes.
Uma pode comer em resposta à ansiedade. Outra pode ter uma rotina que dificulta a organização alimentar. Uma terceira pode ter passado por inúmeras tentativas de emagrecimento e desenvolvido uma relação muito difícil com comida e balança.
É justamente por isso que olhar apenas para o número mostrado pela balança pode ser insuficiente.
Quando as emoções entram na alimentação
Comer não é somente uma resposta à necessidade energética do organismo.
A alimentação também está relacionada a recompensa, prazer, memória, aprendizado, ambiente e emoções.
Em determinados momentos, algumas pessoas percebem aumento da vontade de comer quando estão ansiosas, frustradas, cansadas ou estressadas. Outras utilizam determinados alimentos como uma forma de conforto.
Isso não significa que toda dificuldade para emagrecer tenha uma “causa emocional”. Significa que o comportamento e o contexto emocional também merecem ser investigados quando forem relevantes para aquela pessoa.
Por que entender o contexto individual é importante?
Quando alguém já tentou emagrecer várias vezes sem conseguir manter os resultados, simplesmente repetir a mesma estratégia pode não resolver o problema.
Uma avaliação mais ampla pode ajudar a compreender perguntas como:
Como está a relação dessa pessoa com a alimentação?
Existem situações que desencadeiam determinados comportamentos?
Como estão sono, estresse e rotina?
Quais hábitos são mais difíceis de modificar?
O que aconteceu nas tentativas anteriores?
Existem fatores de saúde que precisam ser avaliados por profissionais específicos?
Não existe necessariamente uma única resposta.
Uma abordagem individualizada
É a partir dessa visão que trabalho com a Avaliação C.A.U.S.A.
A proposta é compreender diferentes fatores que podem estar relacionados à dificuldade apresentada, organizando informações sobre hábitos, comportamento, emoções, rotina, estilo de vida e outros aspectos relevantes ao caso.
O objetivo não é prometer uma solução única nem substituir avaliações de outros profissionais.
Ao contrário: quando necessário, o cuidado pode envolver nutricionista, médico, psicólogo ou outros profissionais de saúde.
O mais importante é deixar de perguntar apenas:
“Como faço para perder peso?”
e começar também a investigar:
“O que pode estar dificultando o meu processo de mudança?”
Essa segunda pergunta pode abrir um caminho muito mais individualizado para compreender o problema e definir os próximos passos.
Ronald Costa
Biomédico | Neurociências e Saúde Integrativa